Crítica | Caça-Fantasmas (2016)

O Por Arthur Morais

Os Caça Fantasmas de 1984 lançaram na cultura pop um universo de sucesso inquestionável.  É grande a nostalgia despertada pelo filme original e pela sensacional música-tema e até pela sua duvidosa continuação lançada em 1989.  Apesar de tudo, o projeto de um terceiro filme da franquia amargou sucessivos engavetamentos até que o diretor Paul Feig recebeu sinal verde para levar Caça-Fantasmas de volta às telonas. 

O anúncio do projeto, somado à noticia de que as protagonistas seriam mulheres, despertou a infame fúria dos puristas em sua injustificada crença de que remakes, reboots e mudanças físicas nos protagonistas podem provocar algum dano ao material original. Além disso, o projeto trouxe à tona faces machistas assustadoras no mundo nerd e pop. E a onda de ódio continua, em um festival bizarro de dar vergonha.

Antes de seguir, é preciso deixar claro que não há motivos para odiar o filme. O novo Caça-Fantasmas é uma produção muito bem acertada com seu tempo, que veio na hora e no contexto certo. Ressalvando algumas idiossincrasias, não existem falhas tão significativas como as presentes em filmes como Warcraft e Batman VS Superman.

No filme, a doutora em física Erin Gilbert (Kristen Wiig), a pesquisadora paranormal Abby Yates (Melissa McCarthy) e a engenheira nuclear Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) têm suas carreiras marginalizadas após registrarem a aparição de um fantasma. Juntas, elas decidem alugar um escritório com o intuito de capturar um fantasma real. Para trabalhar como secretário, elas contratam o cômico e estúpido galã Kevin (Chris Hemsworth). Durante uma investigação no metrô, o grupo de investigadoras paranormais conhece Patty Tolan (Leslie Jones) que se une ao grupo justificando possuir conhecimento profundo sobre Nova Iorque. Forma-se assim as Caça-Fantasmas.

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Paul Feig, até então, ele havia trabalhado apenas com comédias passáveis, não parece a melhor pedida para dirigir uma trama desse tipo. Contudo, o diretor conseguiu entregar bem sua proposta, executada de maneira competente e cumprindo a promessa de uma trama com pouca seriedade.

O que impediu Caça-Fantasmas de ser um filme memorável foi seu roteiro, que segue à risca às estruturas propostas em diversos manuais de cinema. A receita usada foi a correta, o problema foram escolhas ruins em termos de cenas, pontos de virada e diálogos. Isso gera um impacto negativo sobre as piadas essenciais ao filme, existem diálogos desnecessários e piadinhas jurássicas vergonhosas, falhas presentes em outros filmes do diretor. Por sorte, a falha acaba pendendo para uma atmosfera constante de maluquice ao invés de se degradar completamente no ambiente cômico. Felizmente, a maior parte da trama é feita de momentos interessantes e realmente engraçados que salvam seu tempo e seu ingresso.

Os efeitos especiais e o design dos fantasmas funcionam muito bem, refletem corretamente o ambiente cômico e fantástico do filme, mesmo que o roteiro tenha impedido o público de aproveitar a montagem dos antagonistas. Na presença deles, tudo é muito rápido e perde o foco para coisas menos importantes dentro da história.

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No que tange às atuações, nada a reclamar. As personagens de Leslie Jones e Kate McKinnon se destacam e são realmente divertidas e carismáticas. O elenco possui muita sinergia entre si e é nesse fator que o filme se destaca. A escolha do elenco e as características das personagens foram acidamente programadas para uma sincera crítica aos estereótipos cinematográficos e sociais, principalmente no que tange ao sexismo e à segregação em geral, escrachando o profundo ressentimento que a sociedade contemporânea possui em relação à excentricidade e aos tratamentos fascistas tolerados contra mulheres e certos grupos étnicos. Só não espere profundidade, o filme toca, mas não se consagra por esses pontos.

Mesmo com as falhas, Caça-Fantasmas é um pipocão muito divertido e vale a pena ser visto. Não entrega nada de original, falta ousadia, explora pouco o próprio universo e perde tempo em fatores menos importantes da trama. Contudo, o filme traz uma discussão pertinente aos tempos atuais e, ao mesmo tempo, consegue não se levar a sério e rir de si mesmo. Passa longe de ser um filme terrível, mas desperdiça um pouco o elenco, o plot e o universo.

Nota: 7

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Caça-Fantasmas
Ghostbusters, 2016, 116min
Direção: Paul Feig
Roteiro: Paul Feig e Katie Dippold
Elenco: Kristen Wiig, Melissa McCarthy, Kate McKinnon, Leslie Jones, Neil Casey, Chris Hemsworth
Fotografia: Robert D. Yeoman
Edição: Melissa Bretherton e Brent White
Trilha sonora: Theodore Shapiro

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