Crítica | Internet’s Own Boy

A Por Guilherme Murayama

A história de Aaron Swartz, um prodígio da computação e ativista dos tempos da Internet, se entrelaça com a narrativa das manifestações no século XXI. Swartz, como alguém que cresceu e se adaptou rapidamente ao ambiente digital, moldou sua política através da experiência nas redes. O jovem programador lutou durante sua vida por domínio público e cultura livre. Suas pautas eram as pautas do mundo contemporâneo. Com uma inteligência de alto nível e amor pelos computadores, Swartz se tornou um rosto conhecido em tempos de anonimato.

Brian Knappenberger, diretor do também excelente “We Are Legion: The Story of the Hacktivists”, parece interessado em entender a dinâmica da Internet e a história de seus protagonistas. Seus filmes traçam uma história do mundo ainda não contada. Trata-se de um período complexo, nos quais o humor dos memes pode influenciar significativamente os protestos do mundo árabe. E, em Swartz, Krappenberger encontrou um garoto que deixou marcas por toda a Internet. Do desenvolvimento da tecnologia de RSS à criação do site Reddit, a visão de um mundo mais eficiente e livre fez construções éticas impressionantes para alguém tão jovem.

Liberdade de informação é um assunto fascinante. O conto real de vida e morte de Aaron Swartz trata da trajetória dramática de um dos heróis do nosso tempo. Brian Knappenberger apresenta os argumentos dos ativistas através de relatos e da reconstrução da vida de Aaron. Num tom intimista vemos uma vida cheia de potencial e, o que é mais impressionante, um jovem garoto que não se deixou seduzir pelo poder fornecido por suas capacidades. Pelos olhos de seu irmão e de seus amigos, a figura política idealista se funde com uma criança que cresceu amando os computadores. Os objetivos de melhorar o mundo eram claros, e a despedida precipitada de uma figura ao mesmo tempo forte e delicada machuca o espectador. Numa época de indecisões, o mundo perdeu uma mente determinada. “O Menino da Internet: A história de Aaron Swartz” é um documentário trágico e, também por isso, essencial.

Nota: 9

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