Crítica | Capitão América: Guerra Civil

C Por Guilherme Murayama

“Capitão América: Guerra Civil” é um filme vazio. São algumas risadas e boas cenas de ação numa história fraca que só parece boa se comparada com filmes como Batman V. Superman e Era de Ultron. A ação nos blockbusters norte-americanos está predominantemente sem ritmo e apática. Ao se aproximar da narrativa dramática, o filme se perde e parece sempre ter pés nos freios. Não há sensação de perigo quando bombas explodem ou carros quebram, o Universo Cinematográfico Marvel sofre com a repetição e o medo dos executivos.

Os trailers precisam mostrar menos. Os dois primeiros trailers entregam praticamente todas as cenas chaves para o desenvolvimento do longa. Se Star Wars conseguiu esconder e fazer uma boa bilheteria, outros filmes conseguem. Não é difícil, pode funcionar até melhor em termos de rendimento. Contudo, os executivos parecem ser excessivamente inseguros em relação ao sucesso de suas próprias produções.

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O problema não está nos super-heróis. Os quadrinhos de Mark Millar, roteirista que criou boa parte dos textos que deram origem aos longas principais do Universo Cinematográfico Marvel (MCU), são excelentes. Talvez, por isso, o longa não seja um desastre. Entretanto, quanto mais filmes são feitos, maior o risco, maior o dinheiro e maior o medo. E filmes excelentes não são feitos com medo. “Guardiões das Galáxias”, que trata de uma equipe secundária se fundamentou justamente em suas maiores apostas: uma trilha sonora ousada para um longa desse porte e cores incomuns para o padrão acinzentado dos longas espaciais dos últimos anos. O mesmo vale para “O Cavaleiro das Trevas”, Nolan que hoje é um diretor quase inerte apresentou um tom sombrio e adulto inesperado nos tempos de sua produção. É justamente esse o problema de Guerra Civil: o filme não sai do lugar, é repetitivo e não surpreende. A Marvel parece incapaz de matar seus protagonistas. O filme é imóvel e é melhor aproveitado quando não se quer sair do lugar, a palavra de definição é: conforto.

As maiores qualidades do filme reforçam o argumento. O Homem-Aranha de Tom Holland é de fato o melhor visto nas telas de cinema. A ousadia de um personagem pequeno, nerd e deslocado nas cenas sérias reflete que não é preciso muito para acertar num longa quando se tem um bom material de base. O Peter Parker tagarela e excessivamente jovem funciona tão bem quanto poderia funcionar. As cenas com o personagem fluem facilmente, com uma boa mistura entre humor e ação. O outro acerto do longa consiste no vilão: Barão Zemo. Diferente dos antagonistas megalomaníacos do MCU, o Zemo de Bruhl é verossímil e perigoso. Zemo possui objetivos tangíveis e, exatamente por isso, consegue acertar os protagonistas e conquistar o espectador.

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Homem Aranha – Revelado antes da hora pelos trailers

A fórmula para acertar mais é simples: boas histórias. Guerra Civil não é nem de longe o pior filme do gênero nos últimos anos, mas mesmo os melhores longas parecem estar desgastados. O material base já existe. Durante anos o setor de quadrinhos desenvolveu roteiros de altíssima qualidade que estão apenas esperando para serem adaptados. Se for para inovar, que seja melhor. Não é o caso.

Nota: 7

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