Crítica | Straight Outta Compton

F Por Vinicius Menegolo

Final dos anos 80. Compton, Califórina. Ice Cube, Dr. Dre, Easy-E, DJ Yella e MC Ren se unem para formar aquele que seria o maior e mais influente grupo de rap da história. Com batidas vigorosas, letras poderosas e indigestas e uma autenticidade ímpar, o N.W.A. (Niggaz With Attitude) chegou ao topo de forma meteórica. Em uma excelente cinebiografia, Straight Outta Compton narra a trajetória do grupo, desde sua formação até meados dos anos 90.

O filme começa de forma brilhante. Somos apresentados aos membros e, principalmente, ao ambiente. Como num mergulho, somos rapidamente sugados para a Compton dos anos 80. Violência, assaltos, drogas, abusos policiais. Todo o material que dá origem às letras do grupo estão presentes. A câmera quase documental do diretor F. Gary Gray (Uma Saída de Mestre, 2003) deixa tudo muito intenso e autêntico.

O'Shea Jackson como Ice Cube
O’Shea Jackson como Ice Cube

Autenticidade, aliás, é uma das maiores qualidades do filme. Tudo é incrivelmente cru e verossímel. A trilha sonora é composta majoritariamente por músicas do grupo, criando o clima perfeito. Os atores lembram muito seus correspondentes, o que é indispensável para biografias. Tim Maia (2014), por exemplo, melhora consideravelmente quando Babu Santana entra em cena. Aqui, a identificação é imediata e não deixa espaço para distrações. Além da semelhança, as atuações têm qualidade e profundidade. Os diálogos rápidos e carregados saem com muita naturalidade e cenas mais dramáticas não foram nada prejudicadas pela falta de experiência dos atores. O destaque é O’shea Jackson, filho de Ice Cube, que entrega uma ótima performance, carregada de energia e emoção. Claramente talentoso, a empatia pela história do pai fez O’shea levar sua atuação a um nível superior.

Pulsante, Straight Outta Compton é mais que uma biografia, é também uma denúncia sobre o preconceito racial. O NWA triunfou graças aos protestos. Sua história nos cinemas não poderia se abster. A forma absurda como os jovens eram eram tratados no inícios dos anos 90 continua lá e é preciso falar. Ferguson é em todo lugar. Ao lado do excelente Fruitvale Station (2013), Straight Outta Compton é um dos que melhores retrata a luta contemporânea de ser negro nos Estados Unidos.

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Impetuoso e intenso, o filme é bom por si mesmo, capaz de agradar mesmo aqueles que não são fãs de rap. Com 2h30 de duração, o filme fica um pouco maçante durante o segundo ato, mas recupera o fôlego e termina com o espectador desejando acompanhar um pouco mais daquela história. Por suas qualidades e por seu papel crítico, Straight Outta Compton está entre os filmes mais importantes do ano.

Nota: 9

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Straight Outta Compton
2015, 147min
Direção: F. Gary Gray
Roteiro: Jonathan HermanAndrea Berloff
Elenco: O’Shea Jackson Jr., Corey Hawkins, Jason Mitchell, Paul Giamatti
Fotografia: Matthew Libatique

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