Crítica | Making a Murderer

M Por Guilherme Murayama

Making a Murderer não é fácil de se assistir. O documentário que retrata a história de Steven Avery, condenado nos Estados Unidos por homícidio doloso, toca profundamente o espectador. A justiça norte-americana poucas vezes se mostrou tão falha. Com ritmo de thriller e a profundidade de um livro denso, a série aborda o tema de um modo único. Mesmo tendo a abrangência do meio audiovisual, o formato de episódios permite um fluxo que até pouco tempo era apenas possível na literatura.

Após passar 18 anos na cadeia, Steven Avery consegue sua liberdade. Através de uma prova de DNA, o ex-acusado vira a mesa e agora processa o Estado numa indenização milionária. Entretanto, em pouco tempo, Avery se vê no meio de uma investigação de um assassinato violento. Em quem confiar? Making a Murderer desde o início coloca em cheque o sistema jurídico norte-americano e apresenta uma condenação no mínimo inquietante. Misturando mistério, denúncias e drama familiar, a série aborda as consequências diretas desse episódio marcante nas vidas da família Avery.

Num vendaval de dúvidas e intrigas, o documentário prende o espectador ao mesmo tempo em que mostra a tristeza e o desespero da família Avery. Como é para uma mãe ver o filho retornar para a prisão depois de ser libertado após passar 18 anos preso injustamente? Até onde uma família consegue resistir contra a força imponente do Estado ameaçado? Poderia um homem suspeito ser preso mesmo quando ainda existem tantas dúvidas? As questões do caso Avery são diversas. A injustiça não parece incomodar tanto quanto deveria. É exatamente nessa inquietação em que a série age. Não há conforto. A história se consolida como um dos documentários mais provocantes dos últimos anos. São vidas devastadas de modo irreparável. Perturbador do início ao fim, Making a Murderer joga o espectador num labirinto cujas saídas são poucas e nada confiáveis.

Nota: 10

 

 

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