Crítica | Louco – Fuga

A Por Guilherme Murayama

A edição do selo Graphic MSP redesenhou os personagens de Maurício de Souza para construir história mais dramáticas e complexas. Em Louco, Rogério Coelho, vencedor do prêmio Jabuti, desenvolve um dos personagens mais irreverentes de Maurício. Numa mistura de loucura e imaginação, Licurgo Orival Umbelino Cafiaspirino de Oliveira entra em uma jornada poética sobre sonhos, criatividade e os limites da mente humana.

Através de um argumento bem construído, a narrativa se perde tanto no desenvolvimento do roteiro, quanto na construção de diálogos e personagens. A história é por vezes repetitivas e em alguns momentos não deixa de sair do lugar comum. Para um personagem famoso por romper com os limites, o enredo de Rogério Coelho sobre o Louco falha justamente pro seguir excessivamente um caminho seguro.

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Um dos acertos de Louco consiste na diagramação. Em alguns quadros, a movimentação de perspectiva acerta no tom e chega perto daquilo que a história inteira deveria ser. Outra qualidade é a presença de um pássaro para esboçar ideias intangíveis. O personagem, central na história, elabora uma metáfora visual interessante repleta de leveza.

Entre falhas e adequações, Louco se revela mais uma boa HQ do selo  Graphics MSP, ainda que não esteja entre as melhores. Falta ousadia, talvez na construção do antagonista. Entretanto, através de uma arte bem elaborada, o visual compensa as falhas na escrita. Louco não explora o suficiente a mente humana, mas preenche um espaço necessário no caminho editorial. Pelos desenhos e cores, compensa.

Nota: 7

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