Crítica | O Muro

O Por Guilherme Murayama

O Muro, de Céline Fraipont e Pierre Bailly, acompanha a história de uma jovem crescendo numa pequena cidade no interior da Bélgica. Rosie, uma menina de apenas trezes anos, passa por uma série de problemas quando sua mãe foge com outro homem numa aventura amorosa. O pai, ausente, vive imerso em seu trabalho. Tentando encontrar seu próprio caminho, a garota vive uma rotina noturna de drogas, álcool e diálogos internos. Aos poucos, o leitor observa as transformações na vida da jovem. As descobertas de Rosie reforçam suas características, seus anseios e suas fraquezas.

A história flue com facilidade. O traço de Bailly combina com o roteiro, as páginas escuras que dividem os pequenos capítulos ou cenas dão um tom de intensidade pouco visto. Dinâmico e irrepreensível, o mundo de Rosie se apresenta com naturalidade. Nas páginas, a vida conturbada da protagonista ganha leveza e sinceridade. O trabalho é apaixonante. Marcado pelo preto e branco de sua arte, O Muro possui como sua principal característica a imensa variedade de nuances entre seus personagens. As vidas que se encontram e desencontram com a de Rosie são fortes e intrigantes. Cada página possui a frieza da realidade, mas também revela algo de belo e único na vida de sua protagonista. Uma obra de melâncolia cheia de determinação que constrói seu próprio caminho delicado e sútil.

Nota: 10

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