Crítica | O Beijo Adolescente: Primeira Temporada

A Por Guilherme Murayama

A maioria dos quadrinhos brasileiros possuem mais força na narrativa visual do que na qualidade do roteiro. “O Beijo Adolescente” de Rafael Coutinho, filho do também quadrinista Laerte Coutinho, funciona exatamente ao contrário. O texto do autor é mais intenso e complexo que a arte. É através das palavras que Coutinho expressa as questões de um jovem em transformação. Apesar de toda a formação como artista plástico, o quadrinista apresenta um talento notável como escritor e argumentista.

O vigor e os excessos da adolescência ganham força no argumento de Coutinho.  Numa espécie de epidemia, jovens ganham poderes incomuns após o primeiro beijo e precisam lidar com essas mudanças. Em um misto de confusão e entusiasmo, Ariel, um garoto de 12 anos, acaba de desenvolver esses poderes e ainda não entende o que está acontecendo. Tomás, um rapaz de 17 anos que está prestes a perder suas habilidades, surge como uma espécie de tutor e é responsável por introduzir Ariel ao grupo urbano B.A. (Beijo Adolescente). Enquanto isso, uma série de assassinatos acontecem e pessoas começam a desaparecer. A história retrata com singularidade o  processo de amadurecimento com uma perspectiva jovem e dinâmica.

Onde falta qualidade técnica no desenho, sobram soluções criativas. Em especial, o uso de cores seletivo para representar aqueles que fazem parte do B.A. A história é boa de se ler e isto não é pouco. “O Beijo Adolescente” possui uma visão criativa, original e pouco explorada nas histórias nacionais. É, no mínimo, uma fonte de inspiração.

Nota: 8

 

 

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