Crítica | Batman – Silêncio

J Por Guilherme Murayama

Jeph Loeb é um dos quadrinistas mais consagrados da indústria norte-americana. Seus trabalhos em Batman: O Longo Dia das Bruxas e Vitória Sombria lhe renderam o Eisner Award de Melhor Série Limitada. Além disso, seu roteiro em Homem-Aranha: Blue, revolucionou uma das mais importante histórias do Aranha através de uma nova perspectiva e marcou com maestria sua participação nas histórias monocromáticas dos personagens da Marvel. Foi ao lado de Tim Sale, seja na Marvel ou na DC Comics, que Loeb alcançou seu máximo. Em Batman: Silêncio, Loeb faz um trabalho sólido em companhia de outro artista consagrado: Jim Lee.

A parceria com o artista sul coreano estabelece desde o início umas perspectiva diferente para o texto de Loeb. Se nas parcerias com Tim Sale, a narrativa caminhava para uma dinâmica de quadros quase cinematográfica, ao lado de Lee o trabalho de Sale parece evocar o clássico nos quadrinhos. Tim Sale, como ninguém, sabe utilizar do mínimo para estabelecer cenas marcantes e artísticas. Lee, ao contrário, faz poses dinâmicas e resgata o aspecto heróico das HQ’s em cada página com seu traço. Portanto, desde o início, existe a sensação de que Silêncio é uma história construída para ficar. Talvez, seja justamente esse o maior problema do arco. Não existe nada de novo ou insubistítuivel no roteiro ou na narrativa visual. Todos os capítulos, por mais marcantes que sejam, resgatam algo que já foi dito anteriormente. Isso sem acrescentar muito. Ao contrário de em “Homem-Aranha: Azul”, a história não parece sair muito do lugar. Dito isso, trata-se de um arco bem elaborado feito por dois grandes quadrinistas contemporâneos. Ou seja, a leitura pode até não ser inigualável, mas está longe de ser uma história dispensável. O traço de Jim Lee é vibrante. Gotham e Batman ganham vida quase de modo arquetípico. Acompanha-se na minissérie um novo e misterioso inimigo. Este sujeito oculto, utiliza-se dos vilões para estabelecer um jogo altamente manipulador e psicológico com o Batman. A saga caminha para o lado de detetive do personagem, as melhores costumam ir para esta linha. Silêncio é sem dúvida nenhuma um trabalho consistente. Talvez, não seja o melhor, mas isso não é muito quando se trata do Batman.

No Brasil, a série sai agora em dois volumes pela Coleção de Graphic Novels da Eaglemoss. Uma ótima escolha de lançamento, num preço acessível. Principalmente para quem ainda não leu tanto do Batman nos quadrinhos, Silêncio é uma opção de arco viável de um dos maiores heróis de todos os tempos. E, ainda possibilita ao leitor caminhar por uma extensa galeria de vilões que é a mais bem construída dentro dos universos principais das grandes editoras norte-americanas.

Nota: 8

 

Anúncios