Os 10 melhores filmes de 2015

H Por Vinicius Menegolo

Há uma certa estranheza em montar listas de melhores do ano no Brasil. Muitos dos filmes que concorreram ao Oscar, lançados em 2014, chegaram às telas brasileiras somente em 2015. Particularmente, achamos desnecessário colocar na lista filmes como Birdman e Whiplash. Além disso, ótimos filmes que foram lançados há pouco no Estados Unidos não têm como figurar na lista, já que ainda não tivemos a oportunidade de assisti-los. É o caso de The Hateful Eight, Creed, The Revenant e outros filmes de peso que só chegam ao Brasil a partir de janeiro. Sendo assim, nossa lista será composta por filmes que estrearam no Brasil e nos Estados Unidos em 2015.

O ano foi marcado por uma série de continuações e spin offs. Mad Max e Star Wars tiveram retornos triunfais, conquistando público e crítica. Tivemos também os fenômenos de bilheteria Jurassic World, Velozes e Furiosos 7 e o detestável Minions; o ótimo Missão Impossível: Protocolo Fantasma, provando que uma franquia pode elevar seu patamar mesmo no seu quinto filme e o mediano 007: Spectre, que ficou aquém das expectativas estabelecidas por Skyfall. Vimos ainda os fracos Vingadores 2: A Era de Ultron, Exterminador do Futuro: Gênesis, Magic Mike XXL e diversos outros que não precisam ser citados.

2015 também foi fértil para diretores renomados lançarem novas obras. Ridley Scott nos trouxe o divertido Perdido em Marte; Steven Spielberg, o primoroso Jogo dos Espiões; Robert Zemeckis, a incrível experiência 3D de A Travessia; e Woody Allen, o discutível Homem Irracional. Bons ou não, é prazeroso poder desfrutar de novos trabalhos de grandes nomes.

Além disso, a Netflix produziu seus primeiros longas de ficção: Beasts of No Nation, com Idris Elba e The Ridiculous 6, com Adam Sandler. A empresa de streaming já se consolidou no segmento de séries e agora pretende expadir sua atuação para o dificílimo mercado cinematográfico, inclusive com estreia simultânea nos cinemas e no serviço. Um modelo que, se bem sucedido, promete abalar as velhas e sólidas estruturas de Hollywood.

Enfim. Este é o primeiro ano do blog e, consequentemente, nossa primeira lista de melhores do ano. Se você sentir falta de algum filme, por favor coloque nos comentários. É sempre legal ver a lista de outras pessoas e conversar sobre isso. =)

Fotografia deslumbrante de Mike Gioulakis

10 – Corrente do Mal (It follows)

Fugindo da atual avalanche de péssimos filmes de terror, como Anabelle e A Forca, It Follows é um filme verdadeiramente assustador, sem precisar apelar para meia-dúzia de jump-scares. De forma sutil e provocante, a ênfase está em criar o clima perfeito de tensão e horror. Ao lado do ótimo The Babadook, It Follows recupera a essência dos filmes de horror psicológico e deve agradar a todos que esperam mais do que meros sustos baratos. Direção, trilha sonora, atuações consistentes e uma fotografia espetacular se somam para construir um excelente terror psicológico.
Leia a crítica completa.

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9 – Perdido em Marte

É um privilégio podermos ver novos filmes do diretor que deu ao mundo Alien e Blade Runner. Ainda que Ridley Scott não tenha acertado a mão em seus últimos longas, é inegável sua importância para o cinema. Perdido em Marte prova que Scott ainda é capaz de fazer ótimos e divertidos filmes. Com grandes atuações (Matt Damon, Jeff Daniels e Chiwetel Ejiofor), uma fotografia fenomenal e excelentes roteiro e direção, Perdido em Marte é um ode aos clássicos filmes de ficção científica. Capaz de encantar as gerações que cresceram com E.T. e De Volta para o Futuro e também os mais jovens, o novo filme de Ridley Scott é certamente um dos melhores do ano.

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8 – Ponte dos espiões

Escrito pelos irmão Cohen e dirigido por Steven Spielberg, Ponte dos Espiões é um filme composto minuciosamente. Spielberg prova porquê é dos melhores diretores em atividade e usa a câmera com maestria. O visual é espetacular. Cada frame é especialmente bonito e há uma aura retrô capaz de determinar perfeitamente o tom pesado da guerra fria. O roteiro é excelente, marcado pela alta qualidade dos diálogos. É um filme de negociações, se os diálogos falham, o filme fracassa. E aqui aconteceu exatamente o contrário. Por fim, as atuações de Tom Hanks e Mark Rylance são fantásticas, dignas de indicações nas grandes premiações. Os dois se mantém sóbrios e contidos, conseguindo transmitir emoções em pequenas sutilezas que atores de menor calibre não seriam capazes de entregar.

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7 – Sicario: Terra de ninguém

Denis Villeneuve, diretor de Incêndios (2010) e Os Suspeitos (2013), acerta novamente e entrega mais um filme de tirar o fôlego. Emily Blunt dá vida à Kate Macer, uma agente do FBI convidada a participar de operação especial inter agências a fim de desmantelar um gigantesco cartel mexicano. Blunt está absolutamente incrível em seu papel. Com poucas falas, a atriz consegue transmitir toda a tensão, confusão e medo que a personagem está passando. Josh Brolin e Benecio del Toro também estão impecáveis eu seus papéis. Del Toro mal abre a boca, mas sua presença em tela é gigantesca. Aliás, Sicario não é um filme de muitos diálogos. Os personagens são duros, cada qual a seu motivo. O intenso clima de tensão e angústia é construído através da brilhante fotografia de Roger Deakins e pela trilha de Johann Joannsson. Sicario não é um filme de excessos. É um filme cru, tal qual seu enredo e seus personagens.

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6 – Beasts of No Nation

Beasts of No Nation não é uma história comum, é um drama maciço que possui poucos paralelos no cinema contemporâneo. Uma produção impecável sobre assuntos excepcionalmente desagradáveis. A narrativa é irrepreensível e atemporal: acompanha-se um menino desde sua infância amável até os absurdos da guerra civil. Com roteiro poderoso, fotografia deslumbrante, direção sutil e envolvente e atuações brilhantes do experiente Idris Elba e do jovem Abraham Attah, o primeiro longa de ficção da Netflix é impressionante e comovente.
Leia a crítica completa. 

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5 – Que horas ela volta?

Incômodo. Talvez seja o adjetivo que melhor descreva o longa de Anna Muylaert. Calcado na surreal lógica brasileira das empregadas domésticas, é quase impossível não se enxergar na tela e se sentir incomodado, independente de qual lado você se veja. Marcado pela belíssima atuação de Regina Casé, o filme nos coloca como espectadores de uma situação bastante desconfortável. É como se estivéssemos ali, naquela casa, com aquelas pessoas. A vontade é de gritar, intervir de alguma forma. Mérito total de Muylaert, que coloca a câmera nos lugares certos, transmitindo com sutileza ímpar o mal estar da situação.

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4 – Ex-Machina

Oscar Isaac interpreta Nathan, um bilionário que busca desenvolver uma inteligência artificial indistinguível da humana. Para ter certeza de que conseguiu, ele convida Nathan (Domhnall Gleeson) para interagir com sua última criação Eva (Alicia Vikander), a fim de realizar o teste de Turing. A partir de então, o filme se desenvolve inteiramente através da relação e dos diálogos inteligentes entre os atores. São apenas quatro personagens e uma locação. É no minimalismo que o filme encontra suas maiores fortalezas. Há um cuidado especial com cada detalhe, cada objeto, cada aspecto do corpo robótico de Eva e assim por diante. Um cuidado que torna tudo extremamente verossímil, nos fazendo ter certeza de que estamos espiando um futuro muito próximo. Com visual, roteiro e atuações formidáveis, Ex-Machina é inteligente e perturbador. Certamente uma das melhores ficções-científicas da década.

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3 – Divertida Mente

É surpreendente, ou nada surpreendente, a capacidade da Pixar de criar mundos irreverentes e nostálgicos. Histórias que apontam para o próprio espectador. E, de modo simples: tocam, transformam e ainda divertem.Divertida Mente é uma viagem única, como poucas vezes foi vista no cinema. A animação explora assuntos complexos com humor e emoção. A narrativa aqui é tão poderosa que ao final é inevitável não pensar que sua própria cabeça opera como apresentado no filme. A viagem pelo universo que é a cabeça de uma pré-adolescente vai fundo e é capaz de tocar a todos, em diferentes níveis, de diferentes formas. Se emocionar é inevitável, riso e choro se misturam ao longo dos 90 minutos.
Leia a crítica completa.

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2 – Star Wars: O despertar da força

Após o desastre dos episódios 1 a 3, a expectativa para um filme nunca foi tão alta. Como uma declaração de amor, J.J. Abrams entregou o filme que os fãs, e a própria saga, mereciam. Bebeu na fonte da trilogia original. Evitou os erros cometidos por Lucas nos prequels. Optou por efeitos visuais práticos, sem CGI excessivo. Respeitou aquilo que era consagrado e, de forma brilhante, criou algo novo. Não reinventou a roda, e nem era preciso. O universo já era rico o suficiente. Como um fã devoto, Abrams explorou tudo que havia a sua disposição para contar uma nova e envolvente história. Há maestria em todos os aspectos técnicos, no desenvolvimento de personagens e nas atuações consistentes de todo o elenco. As homenagens são capazes de fazer marejar os olhos e Kylo Ren é um vilão excepcional, tudo que Anakin deveria ter sido nos prequels. Enfim, um filme praticamente perfeito.

Tom Hardy e Charlize Theron

1 – Mad Max: Estrada da Fúria

30 anos após o fim da trilogia original, Mad Max retornou aos cinemas sob o comando de seu idealizador George Miller. Repleto de efeitos práticos, câmeras em ângulos inventivos e uma narrativa contada através da ação, o novo filme potencializa o melhor dos originais, especialmente o cenário desértico e o clima de insanidade desenvolvidos no segundo filme. O resultado é um filme sombrio, arrojado, com ritmo frenético e visual irrepreensível. Mad Max veio em boa hora. Miller mostrou que é possível deixar as coisas em segundo plano, no subtexto. Também mostrou que a ação pode conduzir a narrativa.  Um projeto idealizado por mais de duas décadas, minuciosamente pensado e perfeitamente bem executado. Um presente para quem pôde assisti-lo no cinema.
Leia a crítica completa.

 

Menção honrosa: Straigh Outta Compton.
O filme conta a trajetória dos rappers Eazy E, Ice Cube e Dr Dre do início da sua carreia em Compton, da formação da NWA e do começo da carreia solo de cada um. Um filme intenso, pesado e extremamente envolvente. Após 2h30 de projeção o filme termina com o espectador querendo mais. Vale a pena conferir.

Esses são nossos escolhidos. Quais os seus? Deixe sua lista aqui nos comentários.

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