Crítica | Missão Impossível – Nação Secreta

A Por Vinicius Menegolo

Ao passo que a grande maioria das franquias chega capenga no terceiro ou quarto filmes, Missão Impossível se destaca por conseguir manter o alto nível mesmo no quinto capítulo. Ágil, inteligente e repleto de suspense, Missão Impossível: Nação Secreta captura o melhor de seus predecessores para entregar um filme primoroso, um dos melhores da franquia.

Um dos pontos mais interessantes da franquia é a troca de direção. A cada filme, um diretor diferente é escalado para dar continuidade ao legado iniciado por Brian de Palma em 1996. John Woo, J.J. Abrahams e Brad Bird fizeram leituras distintas do universo estrelado por Tom Cruise, resultando em filmes proprietários, narrativa e esteticamente bem marcados pela mão de cada um. Desta vez, o projeto foi entregue a Christopher McQuarrie, um ótimo roteirista, com vocação para o suspense e que provou ser capaz de construir ótimas sequências de ação no subestimando Jack Reacher (2012). Roteirista de Os Suspeitos (1994), McQuarrie foi capaz de trazer para Nação Secreta o suspense e o clima de tensão tão característicos do primeiro filme.

Aliás, o maior acerto do diretor está justamente em conseguir capturar o que havia de melhor nos filmes anteriores (especialmente o primeiro e o quarto) e colocá-los juntos em um único filme de maneira sólida. Há suspense, humor e ação na medida certa, em uma narrativa muito bem desenvolvida. É perceptível o cuidado de McQuarrie em homenagear a própria série, e ele o faz como um maestro que rege diferentes instrumentos em uma orquestra: cada componente deve aparecer no momento certo, com a intensidade certa. É prazeroso ver como os elementos são usados com sutileza.

Prazeroso também é ver todo o elenco em ação. Os personagens são ótimos, acessíveis e interessantes. A dinâmica entre os integrantes do grupo, algo que Brad Bird instituiu em Protocolo Fantasma, foi aprimorada e aqui é formidável. A química entre eles é ótima, algo parecido com Onze Homens e Um Segredo (2001); é fácil perceber que eles são grandes amigos. A narrativa ainda permite que o espectador se sinta parte daquele time, como se também tivéssemos passado por todos aqueles momentos juntos. Para reforçar essa ideia, o diretor faz ótimo uso de câmeras em primeira pessoa em pontos chave das excelentes cenas de ação.missao-impossivel-nacao-secreta-moto

Dessa vez, Ethan Hunt (Tom Cruise) e seus companheiros são caçados pela CIA enquanto têm a missão de desmantelar o Sindicato, uma organização secreta responsável por articular diversos ataques e atentados ao redor do globo. Nada muito diferente do que vimos nos anteriores. No entanto, a grande vantagem desta trama é a presença de um vilão brilhante. Solomon Lane (Sean Harris) é um titereiro. Um homem inteligente que manipula suas cordas para disseminar o caos a quem lhe interessar. Lane parece estar sempre um passo a frente de Hunt, o que gera uma dinâmica incrível entre os dois. Ele não é do tipo de vilão que se elimina com força bruta, é preciso astúcia. E isto faz com que o lado inteligente da espionagem se sobressaia à truculência.

O destaque, naturalmente, é Tom Cruise. De longe um dos atores mais comprometidos com seus filmes, é nítido o quanto lhe é prazeroso interpretar Ethan Hunt. Cruise já declarou seu amor pela franquia e, de certa forma, é como se ele e Hunt fossem a mesma pessoa. O que ajuda a explicar porque o ator faz questão de não usar dublês na maioria das cenas de ação – ele realmente se pendurou em um avião em movimento. Se Hunt consegue, ele também consegue.

O restante do elenco também está ótimo. Simmon Pegg continua engraçado com sempre e seu personagem ganhou mais destaque em Nação Secreta. Mesmo atrapalhado e sem muitas habilidades corporais, Benji é o braço direito de Hunt em sua busca para exterminar o Sindicato. Sem Pegg, a conexão com o filme certamente não seria tão forte. Jeremy Renner, em atuação concisa, transmite com precisão o amadurecimento de seu personagem. Se em Protocolo Fantasma Brandt era um agente enérgico e quase incontrolável, agora ele tem uma postura mais sóbria e imponente, condizente com seu cargo mais burocrático nos bastidores da IMF e da CIA. Por fim, Rebecca Ferguson é uma grata surpresa que acrescenta muito para o filme. A atriz interpreta Ilsa Faust, uma agente que seria o equivalente ao Hunt britânico. Rebecca tem forte presença em cena, quase ofuscando Cruise em alguns momentos, consegue transmitir o drama pessoal de seu personagem e é responsável pelas melhores cenas de luta do longa. Ao lado de Furiosa (Charlize Theron), Ilsa Faust é mais uma mulher forte a aparecer nos cinemas em 2015.

Rebecca Ferguson como Ilsa Fust
Rebecca Ferguson como Ilsa Faust

Missão Impossível: Nação Secreta é o exemplo de que é possível manter uma série longa de filmes com alto nível de qualidade. Com competência e maturidade, Christopher McQuarrie foi capaz de selecionar os elementos que já haviam sido desenvolvidos pelos outros diretores para construir um filme excelente por si só e que, ao mesmo tempo, engrandece ainda mais a franquia.

Nota: 9

 

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Missão Impossível – Nação Secreta
Mission: Impossible – Rogue Nation, 2015, 131min
Direção e Roteiro: Christopher McQuarrie 
Elenco: Tom CruiseRebecca FergusonSimon PeggJeremy RennerVing RhamesSean Harris
Edição: Eddie Hamilton
Fotografia: Robert Elswit
Trilha sonora: Joe Kraemer

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