Crítica | Tão Forte, Tão Perto (2011)

D Por Guilherme Murayama

Durante o ano de 2011, filmes extraordinários foram produzidos no cinema norte-americano. Não é à toa que o Oscar de 2012 foi um dos mais disputados deste século e ainda gera controvérsias com a vitória de “O Artista”. Talvez, apenas por isso, um longa tão competente quanto “Tão Forte, Tão Perto” tenha passado quase despercebido entre boa parte dos espectadores.

Max von Sydow é uma lenda absoluta. O homem é considerado um dos maiores atores ainda vivos. Neste longa especial de Stephen Daldry, o ator sueco entrega uma das mais brilhantes performances de sua carreira no papel de Renter, um personagem que não fala nenhuma palavra. Caso ainda não tenha visto o filme, acredite, Sydow vale por si só o tempo e o investimento. Não são tão variadas as vezes em que uma figura tão respeitada entrega um trabalho ousado e, ao mesmo tempo, minucioso. Certamente, daqui alguns anos, Max von Sydow poderá ser lembrado como um dos grandes talentos da sétima arte. Esta é uma oportunidade única de perceber mais um de seus trabalhos brilhantes enquanto ele ainda está em intensa atividade.

Max von Sydow
Max von Sydow

Sobre a história. A narrativa não é uma arte perdida. O roteiro puro de “Tão Forte, Tão Perto” prova que o cinema ainda pode se sustentar em boas histórias. O enredo do longa traz o relato de um menino numa viagem extraordinária em busca de pistas possivelmente deixadas por seu pai. Poucos argumentos se encaixam tão bem na descrição do gênero de aventura. Uma aventura que em alguns momentos também pode ser dramática, é bem verdade. As melhores são assim. Mas, acima de tudo, é uma viagem. Uma viagem sobre as emoções humanas e a infância. O amor paterno. O amor materno. O amor compartilhado. Da atuação do jovem Thomas Horn à trilha sonora magnífica de Alexandre Desplat, todos os aspectos do filme reforçam a potência narrativa única criada por Eric Roth. A fotografia do mestre Chris Menges, a direção rigorosa e sensível de Daldry, tudo chega perto do impecável.

Um dos pontos mal vistos é a proximidade da trama com o 11 de setembro, muitos não se identificaram. A Era do Medo marcou o cidadão americano. E, marcando o cidadão americano, A Era do Medo marcou o mundo. Em tempos de crise e insegurança, “Tão Forte, Tão Perto” reforça a resiliência, a humanidade. É um filme maduro, sobre a infância. Uma obra-prima quase sólida, sobre os tempos de liquidez.

Nota: 10

Sandra Bullock e Thomas Horn
Sandra Bullock e Thomas Horn

Tão Forte, Tão Perto
Extremely Loud & Incredibly Close, 2011, 129min
Direção: Stephen Daldry
Roteiro: Eric Roth
Elenco: Thomas Horn, Tom Hanks, Sandra BullockMax von Sydow
Fotografia: Chris Menges
Edição: Claire Simpson
Trilha sonora:Alexandre Desplat

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