Crítica | Samba (2015)

O Por Vinicius Menegolo

Olivier Nakache e Eric Toledano demonstraram muita sensibilidade ao dirigir Intocáveis (2011), uma comovente, divertida e improvável história de amizade entre Philippe (François Cluzet), um tetraplégico ranzinza e Driss (Omar Sy), seu carinhoso cuidador. O filme se tornou o maior blockbuster francês de todos os tempos, conquistando mais de 50 milhões de espectadores em todo o mundo. Merecido. Agora, quase quatro anos depois, a dupla volta às telas com Samba, uma delicada comédia social que fica bem aquém de seu predecessor.

O filme tem início com um belíssimo plano sequência num luxuoso salão de festas onde comemora-se um casamento. A câmera vai passeando pelo ambiente até chegar aos fundos da cozinha, onde Samba Cissé (Omar Sy) retira restos de comida das porcelanas. Logo de cara somos introduzidos à temática do filme: imigração. Uma das mais delicadas questões sociais na França atualmente.

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De forma sutil, Nakache e Toledano exploram a questão da imigração como pano de fundo para o desenvolvimento da história. A trama gira em torno da improvável aproximação afetiva entre Samba, um imigrante senegalês ameaçado de expulsão do país e Alice (Charlotte Gainsbourg), uma assistente social inexperiente responsável pelo seu caso. Ao abordar o tema por tal perspectiva, os diretores evitam o caminho fácil de colocar os imigrantes como coitados e os apresentam como protagonistas de suas vidas. Assim como qualquer um, eles riem, choram, se divertem e se apaixonam. Infelizmente, eles também não conseguem se desvencilhar do medo de serem presos e deportados. A qualquer momento seus castelos de cartas podem desmoronar.

Omar Sy como Samba Cissé
Omar Sy como Samba Cissé

A intenção é boa, sem dúvidas, mas não foi tão bem executada quanto poderia. O ritmo oscila muito, sendo dinâmico por algum tempo e rapidamente ficando mais lento, quase maçante. Não é uma variação que ajuda a construir a narrativa, muito pelo contrário. A impressão é que cada cena foi filmada distintamente e a junção não ficou tão harmoniosa. Outro ponto incômodo é a escolha de Charlotte Gainsbourg para o papel de Alice. Aparentemente a atriz não conseguiu se desvencilhar de seu papel em Ninfomaníaca e entrega uma performance com trejeitos e expressões muito semelhantes às de Joe, ainda que as personagens sejam bastante distintas.

Por outro lado, Omar Sy está muito bem e, mais uma vez, é a alma do filme. Com uma atuação mais contida, o ator transita bem entre as várias emoções de seu personagem. Imerso em uma vida incerta e repleta de dificuldades, Samba tenta sempre se manter positivo, alegre. Os momentos mais engraçados do filme são construídos ao seu redor da amizade de Samba e Wilson (Tahar Rahim), um imigrante argelino que finge ser brasileiro para se dar bem. Com Wilson, os diretores nos lembram que o humor, às vezes, também funciona como armadura para nos proteger da nossa própria tristeza.

Diferente de Intocáveis, Samba não é indispensável. Os destaques são um belo visual da fotografia de Stéphane Fontaine, uma trilha sonora empolgante com canções de Gilberto Gil, Jorge Ben Jor e Bob Marley e as ótimas atuações de Omar Sy e Tahar Rahim. Mesmo com falhas, Samba consegue ser divertido e capaz proporcionar bons momentos àqueles que dedicarem seu tempo para assisti-lo.

Nota: 7

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Samba
França, 2014, 120min
Direção: Olivier NakacheEric Toledano
Roteiro: Olivier NakacheEric Toledano
Elenco: Omar SyCharlotte GainsbourgTahar RahimIzïa Higelin
Fotografia: Stéphane Fontaine
Edição: Dorian Rigal-Ansous

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