Crítica | Divertida Mente

D Por Guilherme Murayama

Divertida Mente tem sido considerado o retorno da velha Pixar. A percepção é de que empresa norte-americana não fez tantas criações novas desde que foi comprada pela Disney, e optou por soluções comerciais nos últimos anos como a utilização de continuações das franquias mais famosas. A ideia comum está errada. Apesar da baixa produtividade, a Pixar apresentou nesta década sequências muito bem elaboradas. Toy Story 3 é um dos melhores longas já feitos pela companhia.

Se a criação de narrativas únicas faz parte do DNA da Pixar desde seu primeiro longa, isso se deve à capacidade da empresa de reconhecer seus erros. Antes de Toy Story, a empresa apostou bastante em tecnologia 3D, e teria fracassado caso não tivesse revisto a importância do enredo e do argumento em seus produtos. Da mesma forma, como era de se esperar, após a compra pela gigante Disney a Pixar teve um período razoável de recessão. Em meio à crise, a criatividade da Pixar novamente entra em cena e demonstra a capacidade da empresa de se reinventar. Não são as mesmas fórmulas, modelos se desgastam. É mais que isso. Divertida Mente é uma viagem única, como poucas vezes foi vista no cinema. A animação explora assuntos complexos com humor e emoção.

Não é Ratatouille, ainda que trabalhe com sentimentos e sensações. Não é Toy Story, e mesmo assim apresenta um mundo desconhecido que mistura o fantástico com as experiências pessoais do espectador. Não é Wall-E, só que também faz refletir sobre as escolhas: tanto as individuais, quanto as como sociedade. Não é Up, mas apresenta uma jornada inesquecível, inimaginável. Divertida Mente é um longa da Pixar, único e incomparável, a maioria é assim. É surpreendente, ou nada supreendente, a capacidade do estúdio de criar mundos irreverentes e nostálgicos. Histórias que apontam para o próprio espectador. E, de modo simples: tocam, transformam e ainda divertem. Não vá para o cinema esperando ver a velha Pixar, vá para o cinema esperando algo totalmente diferente de tudo o que já viu. Mesmo assim, em algum momento, o filme te apanhará de modo inesperado. Nesta hora, palavras não serão mais necessárias. O momento bastará em si mesmo.

Nota: 10

 

 

Divertida Mente
Inside Out, 2015, 94min
Direção: Pete Docter, Ronaldo Del Carmen
Roteiro: Pete Docter, Ronaldo Del Carmen
Dubladores: Amy Poehler, Bill Hader, Lewis Black, Phyllis Smith
Estúdio: Pixar

Anúncios