Crítica | Minions

M Por Vinicius Menegolo

Minions é um fenômeno impressionante. Os personagens, criados para funcionarem como suporte cômico em Meu Malvado Favorito (2010), se tornaram maiores que o protagonista Gru e o trio de meninas dos longas originais. Na época do lançamento do segundo filme, as criaturas amarelas estavam por toda parte, de brinquedos a camisetas, passando pelo Mc Lanche Feliz. Não foi grande surpresa, portanto, quando a Universal anunciou que os Minions ganhariam um filme solo. Nos primeiros quinze minutos, acompanhamos a trajetória dos Minions pela Terra e somos apresentados ao seu propósito: servir ao ser mais malvado que puderem encontrar. A sequência de abertura é ótima e percorre rapidamente a relação dos Minions com quatro ou cinco mestres diferentes. As situações são cômicas e exploram bem o potencial de humor visual dos personagens amarelos. É o ponto alto do filme. Ao perderem mais um mestre, os Minions se sentem deprimidos e o trio composto por Kevin, Stuart e Bob parte em busca de um novo líder. Eles chegam à Nova York dos anos 60 e conhecem Scarlet Overkill, a maior e mais respeitada vilã daqueles tempos. A mestre perfeita para a tribo. É a partir daí que o filme começa a desandar e vai perdendo força até chegar capenga ao seu final.

Scarlet Overkill
Scarlet Overkill

São muitos os pontos fracos. Primeiramente, os personagens são mal construídos. A vilã, que deveria ser uma peça importante do enredo, é um personagem bidimensional, com motivações tolas e ações estapafúrdias. As presenças de Herb Overkill e da Rainha Elizabeth, que supostamente deveriam ser engraçadas, chegam a ser vergonhosas. Além disso, o humor visual é pouco usado depois dos primeiros minutos (com exceção da cena da guitarra, que talvez seja a melhor do filme) e foca-se demais nos sons emitidos pelos Minions; algo que deu bastante certo em Meu Malvado Favorito, mas que perde a graça quando usado recorrentemente. Por fim, os roteiristas parecem ter esquecido o propósito de serventia dos Minions e os colocam em confronto com Scarlet de uma hora pra outra. Um desastre. Marcado por inúmeras situações clichês e piadas que já foram usadas a exaustão, o filme se mostra extremamente infantil e pouco envolvente. Os momentos de risadas são bastante pontuais, seguidos de longos minutos de marasmo. Um projeto preguiçoso e desleixado por entregar apenas mais do mesmo após uma ótima sequência inicial.

Kevin, Stuart e Bob chegam a Nova York. E o filme começa a desandar.
Kevin, Stuart e Bob chegam a Nova York. E o filme começa a desandar.

Muitos têm amenizado as críticas ao dizer que se trata de um filme destinado às crianças e que não se deve exigir muito desse tipo de filme. Isso não passa de uma tentativa de defender aquilo que é claramente ruim. Boas animações atendem a qualquer público. Toy Story, O Rei Leão, Shrek, A Era do Gelo, Meu Malvado Favorito e muitos outros são exemplos de que é possível fazer um filme para o público infantil que seja interessante também para os adultos. Talvez a Pixar ainda vá além e faça filmes para adultos que também sejam interessantes para crianças, mas essa é outra história. O ponto é o filme não se sustenta, explora mal seus personagens, os conflitos e vai de um lugar para outro sem muita coerência. Minions fracassa em praticamente tudo, até mesmo em ser divertido.

 

Minions 2015, 91min Diretores: Kyle Balda, Pierre Coffin Roteirista: Brian Lynch Dubladores: Sandra Bullock, Jon Hamm, Michael Keaton Estúdio: Universal Pictures

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