Crítica | Mad Max – Trilogia Orginal

É Por Vinicius Menegolo

É difícil mensurar o que Mad Max fez pelo cinema. Com forte inspiração nos cenários de faroeste, a trilogia marcou sua época e continua sendo memorável 30 anos após sua produção. O que surgiu como um filme underground australiano, acabou responsável por criar um novo gênero: os neo-western pós-apocalípticos, como Resident Evil: Extinção (2007), O Livro de Eli (2010) e A Caçada (2014).

Mad Max: A Estrada da Fúria é um dos filmes mais esperados do ano. Seu trailer apresenta um visual incrível e um bando de lunáticos dirigindo máquinas a diesel pelo deserto. É animador saber que por trás do novo filme está George Miller, escritor e diretor da trilogia original e que terá o prazer de revisitar o mundo que ele mesmo criou para deleite dos fãs. A Warner preparou um vídeo irado percorrendo os filmes antigos e culminando em Estrada da Fúria:

Mad Max (1979)

Max, Goose e o Interceptor amarelo da polícia

Filmado com apenas 300 mil dólares, Mad Max se tornou um dos filmes mais lucrativos de todos os tempos ao arrecadar mais de US$ 100 milhões ao redor do mundo. O filme que revelou Mel Gibson se passa em uma Austrália decadente, a beira do colapso, onde as gangues tomaram conta das estradas e a ordem segue apenas como inércia de um sistema que está claramente falido. Nesse cenário caótico, Max Rockatansky (Mel Gibson) é um policial honrado, que patrulha as estradas e tenta evitar que as gangues triunfem.

O clima criado pelo diretor George Miller é impressionante. Você se vê rapidamente imerso naquele cenário moribundo e alucinado. Com um roteiro simples e poucos diálogos, o tom e o clima são construídos principalmente pelo figurino steampunk e a competência com a qual Miller comanda a câmera. Mesmo com um orçamento muito baixo, o diretor elevou a um patamar superior tudo que vinha sendo feito em termos de cenas de perseguição. Seus ângulos são inventivos e corajosos dando às capotagens um protagonismo à parte. Mad Max mudou o jeito de filmar carros e acidentes.

Os pontos fracos estão diretamente ligados ao orçamento reduzido. A edição de som é fraca e realmente chega a incomodar, com ruídos e gritos sobrepostos às falas. Com exceção de Mel Gibson, que consegue dar profundidade a seu personagem de homem ordinário, o restante do elenco é decepcionante. Os membros da gangue são motoqueiros de verdade e atuam exatamente como espera-se que motoqueiros atuem.

Mad Max tinha tudo para dar errado, mas Miller e Gibson conseguiram fazer as coisas funcionarem e o filme se tornou um clássico que vale a pena ser revisitado.

The Road Warrior (1981)

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Max Rockatansky

Ápice da trilogia, Mad Max 2 é a consagração do gênero criado por Miller euma das melhores distopias da história do cinema. O filme se passa algum tempo após os eventos do primeiro, quando o que havia de sociedade se esvai, as cidades desaparecem e o deserto toma conta de tudo. As gangues ganham mais força e se tornam ainda mais insanas. Em um mundo despedaçado, o que restou da humanidade luta pela sobrevivência e briga pelo bem mais precioso do planeta: a gasolina.

Mel Gibson é o retrato perfeito de seu personagem. Um homem deteriorado que não consegue fugir da responsabilidade de fazer o que é certo. Max é um homem de poucas palavras, suas ações falam por si, e Gibson consegue transmitir essa complexidade de forma sutil e convincente. Ele começa o filme como um homem solitário, que só quer combustível para seu Interceptor V8 e continuar sua jornada pelo deserto. Logo ele se vê ao lado de um grupo de pessoas que luta para proteger sua refinadora de uma gangue de malfeitores. A dinâmica remete aos filmes de Western onde um grupo deve defender o forte dos invasores.

Com um visual irrepreensível, a fotografia de Dean Semler (Dança com Lobos, 1990) é excelente. Cores quentes e um pouco dessaturadas dão a sensação de aridez, criando um ambiente altamente realista. Cada frame é capturado com maestria e poderia ser emoldurado. Miller conseguiu levar as perseguições a um nível superior ao do primeiro, dedicando o terceiro ato a uma longa perseguição pelo deserto, com cenas de capotagem inacreditáveis e extremamente bem filmadas. Mad Max 2 é uma obra-prima.

Beyond the Thunderdome (1985)

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Ao contrário dos outros dois, que tiveram classificação R, Mad Max 3 foi produzido com classificação PG-13, o que arruinou o filme e fez com que a franquia fosse descontinuada.

Max é atacado na estrada e chega a Bathertown, uma cidade incrustada no meio do deserto e governada por duas forças distintas: Aunty (Tina Turner), fundadora da cidade e criadora das leis que regem o lugar; e MasterBlaster, que controla a produção de metano no subsolo. A cidade retrata a degradação que a humanidade se encontra mesmo anos após o apocalipse. Nada ali é digno, tudo é repugnante, e até mesmo os líderes estão em situação deplorável, apenas com um senso de poder e superioridade.

A mudança da classificação, além de limar da tela as cenas violentas e cruas presentes nos longas anteriores, fez com que o filme sofresse uma espécie de infantilização. Do meio para o final, Max se reúne com uma tribo de crianças que vivia no deserto para atacar Bathertown e tirar Aunty do poder. É aqui que ocorre a única cena de perseguição, que dura pouco mais de cinco minutos e fica muito aquém das apresentadas nos outros filmes. As crianças lutam ao lado de Max e atacam os vilões com frigideiras, algo inconcebível dentro do universo do filme.

Mad Max 3 é um filme bizarro, que até tem os elementos dos filmes anteriores, mas os aproveita mal e decepciona. Para quem pretende assistir aos antigos antes de ver Estrada da Fúria, este filme é dispensável.

Mel Gibson em 1979
Mel Gibson em 1979
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Mad Max 2
Lord Humungus - Líder dos invasores
Mad Max 2 – Lord Humungus
Tina Turner como Aunty em Mad Max 3
Tina Turner como Aunty em Mad Max 3

 

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