Crítica | Vício Inerente

O Por Gui Cintra

O diretor americano Paul Thomas Anderson (Sangue Negro; Magnolia) vem novamente à tona, desta vez com Vício Inerente, uma adaptação da novela homônima de Thomas Pynchon publicada em 2009. Após uma carreira de mais de 50 anos, esta é a primeira vez que o escritor autorizou a adaptação de um de seus livros para as telas, o que construiu uma enorme expectativa — e que felizmente foi alcançada pelo diretor.

O enredo, situado na Califórnia dos anos 70, é orientado por Larry “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix), um detetive particular contratado por sua ex-namorada Shasta (Katherine Waterson) para investigar um suposto esquema de golpe contra um rico empresário de Los Angeles — e novo caso amoroso da garota. Doc Sportello, um personagem incrível que por diversos momentos remete ao memorável Dude, de O Grande Lebowski, lida com seu ofício sempre chapado e de maneiras pouco convencionais, deparando-se com tramas investigativas surreais que envolvem o espectador e exploram uma divertida progressão irônica. O resultado é um noir moderno, maluco e engraçado.

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Joaquin Phoenix é um ator extraordinário e mais uma vez isso se torna evidente. Justiça seja feita, o elenco em geral é ótimo, e coloca Joaquin na companhia de grandes nomes como Owen Wilson, Reese Witherspoon e Benicio Del Toro. Além disso, destacam-se as boas atuações de Josh Brolin, como o policial Bigfoot, e de Katherine Waterson, que dá vida a uma personagem poderosamente instigante e sensual.

A riqueza do filme vai muito além disso. Fato é que grande parte do fascínio de uma história concentra-se na qualidade das forças antagonistas, de modo a se extrair o máximo de valor do protagonismo e, assim, atingir a excelência na expressão das ideias que a governam e significam. Vício Inerente consegue ser intelectualmente fascinante e convincente justamente por conta do trabalho investido na elaboração desse cenário e desses personagens, a exemplo do já citado Bigfoot, que nos entrega o retrato de toda uma sociedade e modelos de pensamentos. Sportello nos arrasta ao longo dos conflitos em meio a um curioso espectro de caos, promovendo um verdadeiro mergulho no ambiente político, histórico e social dos Estados Unidos da época.

Ao final, Paul Thomas Anderson coordena uma mistura admirável de confusão, melancolia, ansiedade e, sobretudo, amor para criar uma obra rica, profunda e instigante. Certamente, Vício Inerente é um filme como antes você nunca viu e que agora você deve ver.

Nota: 9

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Vício Inerente (2014)
Inherent Vice, EUA, 148min
Direção e Roteiro: Paul Thomas Anderson
Elenco: Joaquin Phoenix, Owen Wilson, Josh Brolin, Benicio Del Toro, Katherine Waterston, Reese Witherspoon
Fotografia: Robert Elswit
Edição: Leslie Jones

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