Crítica | Batman – O Longo Dia das Bruxas

C Por Guilherme Murayama

Christopher Nolan revolucionou a indústria cinematográfica com “O Cavaleiro das Trevas”. Sua obra sombria e realista transformou o gênero de super-heróis e consolidou os personagens dentro da sétima arte. O roteiro, escrito pelo diretor em conjunto com o irmão Jonathan Nolan, foi elogiado ao redor do mundo. Ao contrário do que diz o título, o filme de Nolan não tem como base a HQ de Frank Miller entitulada de O Cavaleiro das Trevas. A história contada pelos irmãos no longa vem principalmente de outros três quadrinhos: A Piada Mortal, de Alan Moore, e O Longo Dia das Bruxas com sua sequência Vitória Sombria, de Jeph Loeb e Tim Sale.

Tomando como ponto de partida os eventos de Batman: Ano Um, de Frank Miller, O Longo Dia das Bruxas é uma das maiores histórias do homem-morcego de todos os tempos. Parte do projeto de Loeb e Tim Sale de roteirizar histórias dentro da temática de Halloween, o enredo cerca este aspecto mais sombrio do herói, estabelecendo uma série de crimes e mistérios complexos envolvendo um serial killer que age apenas durante os feriados.

Outro aspecto forte do roteiro é a presença da máfia de Gotham. Fazendo referência à trilogia lendária de Coppola, Carmine “O Romano” Falcone tem um visual muito parecido com o de Marlon Brando. As consequências da guerra entre as famílias também se desdobram em Gotham, o enredo acaba tocando o coração das principais famílias da cidade. A história tem um tom surpreendentemente pessoal para Bruce e para as pessoas que o cercam.

Os vilões também estão presentes. Coringa, Hera Venenosa e Duas-Caras ganham contos particulares. Harvey, de todos esses, é o mais importante. Tanto no desenho quanto no roteiro, Dent mostra uma face até então trabalhada apenas na superfície. Os autores vão a fundo, revelam o que existe de mais forte na essência do personagem. Tendo um trabalho de cor único e versátil, as páginas ressaltam tanto os crimes – feitos em cenas com um clima noir – quanto os principais atributos dos habitantes mais sombrios de Gotham.

Não é simples se destacar entre as obras do Cavaleiro das Trevas. Batman tem sido, durante décadas e décadas, símbolo do que existe de melhor na DC Comics. O Longo Dia das Bruxas é lendário. Um clássico dos quadrinhos, tão forte que ajudou a transformar a indústria cinematográfica. Imperdível e, principalmente, incomparável.

Nota: 10

 

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