Crítica | Velozes e Furiosos 7

A Por Vinicius Menegolo

Após se reinventar completamente no quarto filme, Velozes e Furiosos passou de uma série sobre caras marrentos disputando rachas ilegais para se tornar a maior franquia de ação da atualidade. Literalmente, não há nada mais explosivo em Hollywood do que os filmes do grupo liderado por Dominic Toretto. O sétimo filme é a coroação de uma franquia hiperbólica. O exagero é a regra, as leis da física são desprezadas e os atores são praticamente super-heróis, saindo ilesos das situações mais absurdas possíveis. É insano.

Velozes e Furiosos 7 se passa após os eventos de Tokyo Drift, quando Han (Sung Kang) é morto durante um racha na cidade japonesa. Deckard Shaw (Jason Statham) revela-se o responsável pelo atentado como forma de vingar seu irmão Owen, derrotado pelo time de Dom no sexto filme. A apresentação do personagem de Statham é feita de forma brilhante, numa cena bem divertida logo nos primeiros minutos. Em poucos segundos fica evidente sua letalidade e o estrago que sua saga por vingança pode causar à família Toretto.

O diretor James Wan, reconhecido por seu ótimo trabalho em filmes de terror como Jogos Mortais (2004) e A Invocação do Mal (2013), faz uma bela estreia no gênero de ação, entregando sequências alucinantes. As perseguições são extremamente dinâmicas, explorando ângulos e movimentos de câmera pouco usuais. O time de produção realmente lançou carros de um avião cargueiro para que o diretor capturasse a queda com o maior realismo possível. A cena é incrível e não teria o mesmo impacto nem a mesma estética se fosse feita em computação gráfica. O cara soube se beneficiar dos absurdos.

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O ponto fraco do longa fica por conta das sequências de luta, que usa de excessivos cortes rápidos para transmitir a ideia de velocidade, mas acaba tornando a luta difícil de acompanhar. O embate entre Statham e The Rock, um dos momentos mais esperados desde que o ator inglês foi introduzido, foi bastante prejudicada por essa edição frenética. Wan ainda exagerou na inventividade de movimentos de câmera e o resultado não ficou tão bom quanto às tomadas dos carros.

É difícil saber que história eles pretendiam construir antes do trágico acidente de carro que tirou a vida de Paul Walker, mas o resultado parece uma colagem de várias partes desconexas. De qualquer forma, seria insensato desqualificar o filme por conta disso, uma vez que a ação e o humor conseguem compensar as deficiências do roteiro. A decisão de seguir em frente foi corajosa e realmente valeu a pena.

Acima de tudo, Velozes e Furiosos 7 é um filme de homenagens. Primeiro, uma homenagem ao fãs: são várias as referências e piadas com a própria franquia, um regalo para quem acompanha a gangue há 14 anos. Depois de tanto tempo é como se fôssemos parte da família – tudo é repleto de significado e boas lembranças. A segunda e maior homenagem é a Paul Walker. Ao lado de Vin Diesel, o ator foi responsável por reerguer a franquia e transformá-la no enorme sucesso que é hoje. As palavras finais de Vin Diesel são emocionantes e vão fazer muita gente lacrimejar. Uma despedida sincera de um grande amigo e o desfecho perfeito para o filme, que fecha algumas portas, mas permite que outras sejam abertas. Já estou ansioso para o oitavo.

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Velozes e Furiosos 7 (2015)
Furious 7, 137min
Direção: James Wan
Roteiro: Chris Morgan
Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Jason Statham, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Ludacris, Kurt Russell

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