Crítica | Os Boxtrolls (2014)

E Por Guilherme Murayama

Existe um cuidado especial nos filmes produzidos pela Laika, estúdio do animador e executivo Travis Knight. As animações criadas pelo estúdio têm um cuidado único na elaboração de stop-motions e fizeram sucesso em trabalho anteriores como “Coraline e O Mundo Secreto” (2009) e “ParaNorman” (2012). Não tem como não perceber o aspecto artesanal nos longas, são detalhes e peculiaridades que contrastam com as animações em 3D feitas pelos grandes estúdios americanos como Pixar e DreamWorks. Os Boxtrolls, novo filme da Laika, ressalta bem essa personalidade. O estúdio trás mais um longa repleto de caracerísticas próprias e cheias de autenticidade.

Na história, acompanhe-se as aventuras de Ovo, um menino criado entre criaturas amáveis do mundo subterrâneo conhecidas como Boxtrolls. Ovo, nascido humano, foi criado por estes seres esquisitos e não percebe que pertence a outra raça. Por um motivo desconhecido, os Boxtrolls são perseguidos pelos cidadãos de Ponte Queijo e saem para a superfície apenas durante a noite. A trama não é original, mas o aspecto visual e a diversão compensam. O trabalho de dublagem é ótimo e conta com grandes nomes como Ben Kingsley no papel do vilão Arquibaldo Surrupião, Jared Harris como Lorde Roquefort, Elle Fanning como Winnie e Isaac Wrights – o Bran Stark da série Game of Thrones – interpretando o protagonista Ovo.

No fim, o longa não supera as expectativas, mas dificilmente decepciona. Se o roteiro não é tão original, o resultado com os bonecos é excelente. A técnica de animação de Os Boxtrolls flui como poucas. O desfecho, bem apropiado, parece muito com uma homenagem ao trabalho por trás das câmeras.

Nota: 8

 

 

Os Boxtrolls (2014)
The Boxtrolls, EUA, 96min
Estúdio: Laika
Diretores: Graham Annable, Anthony Stacchi
Dubladores: Ben Kingsley, Jared Harris, Nick Frost
Edição: Edie Ichioka
Direção de arte: Curt Enderle

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