Crítica | O Despertar

S Por Guilherme Murayama

Scott Snyder. O nome já vale mais do que qualquer outra referência. Seu trabalho nos últimos anos reformulou o universo do Cavaleiro das Trevas e construiu, em Vampiro Americano, uma das maiores sagas de vampiros da atualidade. Mas, para além da competência de Snyder, “O Despertar” conseguiu em 2014 o prestigiado Eisner Award de Melhor Série Limitada e consagrou Sean Murphy como Melhor Desenhista.

Com um thriller submarino arrebatador, a trama de “O Despertar” cerca os mistérios das profundezas. Na primeira parte, constrói-se um cenário de terror aos moldes do filme espanhol REC (2007) com um pouco do clima de isolação e distanciamento vivido pela protagonista Ryan Stone em Gravidade (2013). É a antiga história de seres humanos comuns – ou quase isso – enfrentando algo que vai além de suas capacidades. Se existe alguém que traz aos quadrinhos novos aspectos para esse tipo de enredo é Snyder. Nesta história simples, o leitor com certeza vai se surpreender, porque vai se apegar. Provavelmente seja esse o segredo de Scott, criar personagens carismáticos sejam eles vilões, heróis ou pessoas comuns. Claro que nada disso seria possível sem talentos como o de Sean Murphy, que traz nos traços o vigor necessário para dar vida às fantasias assombrosas do roteirista.

Tendo o alto padrão que é comum nos trabalhos de Snyder, assim como nos talentos que o acompanham, “O Despertar” é mais uma obra delirante do escritor americano. Quase impensável, sua trama óbvia dificilmente foi vista antes e com certeza será vista depois. Porque quando a história termina, precisa-se de mais. Depois de criado, esse tipo de universo deve ficar, para ser revisitado por outros autores. Scott conseguiu de novo.

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