Crítica | Aquaman: Os Abissais

Q Por Guilherme Murayama

Quando Ivan Reis terminou seu bem sucedido trabalho em “Brightest Day”, continuação da mega saga “Blackest Night”, convidaram-lhe para assumir alguns dos principais títulos dos novos 52 – reboot da DC Comics nos quadrinhos. O artista negou. Ivan não queria trabalhar com as grandes séries, tentaria algo novo. Perguntaram-lhe qual herói gostaria de desenhar e ele, de imediato, respondeu: Aquaman. Aquaman? Sim, Aquaman. A princípio, a ideia do brasileiro pareceu a mais desvairada possível. Ainda não dava para supor que o artista iria conseguir revitalizar, em pouco tempo, o membro mais impopular da Liga da Justiça. Aquaman, um personagem até então sem grande prestígio, transformou-se em um fenômeno de venda e crítica. Ivan Reis deu ao herói um lugar de respeito entre os principais nomes da editora.

Geoff Johns, roteirista que já havia trabalhado com Ivan Reis em Lanterna Verde, retoma a parceira em Aquaman. O quadrinista, hoje um dos maiores nomes criativos dentro da DC, foi atraído para o projeto justamente pela sintonia criada com o artista no trabalhos anteriores. A combinação, obviamente, funciona. Fica evidente nas páginas que a colaboração entre os dois exalta as qualidades de Ivan como desenhista. A trama de Johns é simples: Arthur, filho de um humano com a rainha Atlanna, tornou-se soberano da lendária Atlântida e luta para manter o respeito entre os seres da superfície. Deslocado, tanto nas profundezas quanto em terra, o herói é um tanto solitário. O peso de seus deveres recai constantemente sobre seus ombros e, por mais que fuja, Arthur parece sempre ter de conciliar suas obrigações para com ambos os povos. Das profundezas abissais, surge uma ameaça antiga que trará mudanças ainda mais perturbadoras para o rei de Atlântida.

Aquaman encontrou nos novos 52 uma força como poucas vezes foi vista no personagem. Hoje, Arthur figura facilmente ao lado dos outros gigantes da DC Comics. As suas novas histórias restauram o status do personagem, talvez sua presença chame até mesmo mais atenção que o enredo. É no traço de Ivan Reis que o leitor consegue enxergar a imagem do soberano de Atlântida. Não é a melhor saga de nossa época, mas certamente uma das melhores já feitas com o herói como protagonista. Certamente, a série é um novo começo. Aquaman é o que todo reboot deveria ser: uma boa chance, para melhorar e para conquistar novos leitores.

Nota: 8

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