Crítica | Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014)

M Por Vinicius Menegolo

Mais que um filme sobre música ou músicos, Whiplash é uma obra sobre obsessões. Miles Teller dá vida à obsessão de Andrew, um jovem que deseja ter seu nome ao lado dos maiores bateristas de jazz da história. J.K. Simmons encarna a obsessão de Terrence Fletcher, regente da melhor equipe do melhor conservatório de música do país, cujo propósito é descobrir a próxima lenda do jazz entre seus pupilos. Fletcher possui um método impetuoso de ensino, onde pressiona seus alunos ao máximo, tanto física quanto psicologicamente. A pressão exercida pelo professor é tanta que não é possível garantir que os alunos não irão quebrar. E muitos quebram.

Andrew está disposto a correr o risco e abraça a oportunidade de ser treinado pelo melhor regente da escola. Fletcher, enxergando a abertura, passa a ser cada vez mais extremista em suas intervenções. Aos poucos, a obsessão começa a se tornar insanidade. Até que ponto é válido continuar aumentando a pressão?

O jovem Miles Teller (The Espectacular Now, 2013), é um dos atores mais promissores da sua geração e, não por acaso, entrega uma atuação deslumbrante, conseguindo encontrar a combinação perfeita entre insegurança e confiança que estão entrelaçadas na alma de qualquer jovem talento. Já o veterano J.K. Simmons, o icônico diretor do jornal na trilogia Homem-Aranha, faz uma performance excepcional, a melhor de sua carreira, capaz de fazer até mesmo os espectadores se sentirem intimidados com sua presença na tela. É admirável a capacidade com que Simmons trabalha toda a intensidade de seu personagem. Com a melhor entrega de um ator coadjuvante desde o Coringa de Heath Ledger, o papel lhe rendeu 16 prêmios em festivais e o Globo de Ouro, o colocando – merecidamente – como favorito ao Oscar.

Whiplash nasceu como curta em 2013 e a brilhante história escrita e dirigida pelo jovem Damien Chazelle conquistou o prêmio de juri no festival de Sundance, abrindo caminho para a produção do longa-metragem de 2014. O filme enaltece e, de certa forma, questiona um ponto crítico do processo de desenvolvimento de músicos, atletas e dançarinos: o empenho em treinar até além dos limites com o objetivo de atingir alguma grandeza. A consequência é que aqueles que não conseguiram não se dedicaram, não queriam e não sangraram o suficiente. Fletcher ensina ao garoto que as palavras mais castigantes na língua inglesa são “bom trabalho”, uma forma de parabenizar a mediocridade alheia e que impede as pessoas de evoluírem.

Chazelle, também a frente do longa, estrutura Whiplash como uma grande apresentação musical. O propósito de um maestro é selecionar as músicas certas, executá-las na ordem certa e garantir que cada músico entre no tempo certo. Tudo para conduzir o público ao clímax do espetáculo. Dessa forma, tudo no filme – da construção dos personagens à interação de Andrew com seus familiares – tem como propósito encaminhar o espectador para a cena final, uma das mais fascinantes, mais arrepiantes que já vi. Certamente Chazelle foi além de um bom trabalho e conseguiu nos entregar um filme triunfal, que merece ser aplaudido de pé.

Nota: 10

 

miles teller whiplash 2014

whiplash 2014 jk simmons 2

whiplash 2014 jk simmons

whiplash 2014 miles teller 2

Whiplash: Em Busca da Perfeição
2014, EUA, 107min
Roteiro e direção: Damien Chazelle
Elenco: Miles Teller, J.K. Simmons, Melissa Benoist
Fotografia: Sharone Meir
Edição: Tom Cross
Música: Justin Hurwitz

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