Crítica | Bidu: Caminhos

B Por Guilherme Murayama

Bidu foi o primeiro personagem de Maurício de Sousa. Inspirado num cachorro que Maurício tinha durante a infância, ele é hoje o símbolo de sua empresa. Ainda que Bidu seja tão icônico, não é difícil encontrar histórias ruins que não façam jus à consagração do cachorrinho. Em “Caminhos”, a HQ que faz parte da iniciativa Graphics MSP, busca-se reimaginar o personagem e se estabelece algo muito diferente do que foi visto até então.

Após o sucesso de produções como “Astronauta: Magnetar”, “Chico Bento – Pavor Espaciar” e “Turma da Mônica: Laços”; a dupla de artistas mineiros Eduardo Damasceno e Luis Felipe Garrocho obteve a difícil missão de adaptar as aventuras de Bidu para o formato estilizado e luxuoso do selo Graphics MSP. A trama, arriscadamente simplória, tem como argumento uma reinvenção do primeiro encontro entre Bidu e seu dono Franjinha. Sem o caráter inovador dos outros volumes da série, “Bidu: Caminhos” poderia seguir tanto um caminho descártavel, quanto adquirir os atributos de um clássico. Não por sorte, esta história é possivelmente uma das melhores criações já feitas com o personagem e se torna uma edição indispensável para aqueles que já gostam das histórias padrões da Turma da Mônica. Com desenhos muito bem trabalhados, as páginas esboçam emoção como poucas vezes se pode observar nas produções nacionais.

Um dos poucos aspectos negativos do volume é a irregularidade do trabalho com as letras. Em muitas páginas, o texto escrito conflita com as cores hamônicas das ilustrações. Em outras, o texto também não acerta — por pouco — ao realizar construções inovadoras nos balões de diálogos. Como contraponto, é muito bem sucedida a estrutura dos diálogos feitos exclusivamente por ilustrações como já é comum em histórias da Turma da Mônica.

Sem conflitar com a obra já criada pela Maurício de Sousa Produções, “Bidu: Caminhos” se encaixa muito bem no universo do autor. Ainda que com uma estética diferente, a essência do personagem permanece a mesma e as qualidades de suas histórias ganham ainda mais força. Certamente, um dos melhores quadrinhos nacionais do ano.

Recomendado para quem gostou de: Chico Bento: Pavor Espaciar (Gustavo Duarte, 2013), 10 pãezinhos: meu coração não sei porquê (Gabriel Bá e Fabio Moon, 2001) e Klaus (Felipe Nunes, 2014).

Autores: Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho
Editora (BR): Panini Livros
Preço (BR): R$ 19,50
Número de páginas (BR): 80
Lançamento (BR): 2014

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