Crítica | Será Que? (2014)

A Por Guilherme Murayama

A comédia romântica sempre foi, e ainda continuará sendo, um subgênero cheio de clichês. “Será Que?” é um filme que não tenta subverter esse padrão de argumentos e, ainda assim, conquista a maior parte dos seus espectadores.

Se separada de maiores pretensões, a experiência de assistir a uma obra cinematográfica não precisa de tanta originalidade quanto se pode supor. Pelo contrário, ver um filme pode ser apenas aproveitar um bom momento e se deixar levar. É justamente nas qualidades de imersão e despretensão que o novo filme de Daniel Radcliffe se sustenta. Apresentando uma história charmosa e carismática, “Será Que?” encanta facilmente e traz uma naturalidade contundente e inevitavelmente humana.

Não sendo indicável aos que repudiam o gênero, o filme tem sua trama baseada na peça canadense “Cigars and Toothpaste”, co-escrita por Tj Dawe e Michael Rinaldi. Nessa história, acompanha-se Wallace (Daniel Radcliffe), um rapaz britânico que há pouco tempo terminou com uma namorada e ainda sofre por isso. Cético em relação ao amor, o jovem não acredita na promessa de grande felicidade e insiste numa racionalidade que por vezes se demonstra disfuncional. Como se pode supor, não demora muito para o rapaz encontrar alguém que começará a reverter essa linha de pensamento. E assim, Wallace conhece Chantry – interpretada pela Zoe Kazan de Ruby Sparkys (2012) – com quem desde o início tem uma conexão. Há, é claro, uma barreira óbvia na relação dos dois, que se desenha através de Ben, o refinado namorado de Chantry. Tendo esse argumento repetitivo, o filme é muito mais do que se imagina. Há uma verossimilhança cativante construída através da fotografia, que emula tons/níveis naturais de luz, e das atuações que em muito se assemelham ao cotidiano. Não existe de forma alguma aquela velha criação sistemática hollywoodiana. Pelo contrário, todos os personagens apresentam nuances e emanam uma boa dose de espontaneidade. É um clichê com toda a certeza, mas cheio de vida e que dificilmente não envolve o espectador.

É difícil não reparar também em Adam Driver (Inside Llewyn Davis, 2013). Seu personagem é construído através de diálogos repletos de características jovens, e talvez por isso, necessariamente velozes. Portador de um humor satírico, o ator faz o papel de Allan, o melhor amigo de Wallace e primo de Chantry, sendo dessa forma o responsável pela ponte entre os dois. Algumas das melhores deixas e sacadas do filme envolvem o personagem. Mas, ainda que essas características funcionem bem, não deixa de ser perceptível a semelhança com as interpretações que já consagraram o ator: Adam Sackler (Girls) e Liev (Frances Ha, 2012).

Tendo como ponto mais fraco a falta de originalidade, “Será Quê?” é uma comédia romântica bem realizada que não tenta ser nada além do que se propõe. Envolvente e com atores de primeira linha, o filme deve atender aos que procuram um filme agradável sem grandes exigências. Uma história sincera sobre amizade que se opõe à aparente artificialidade de seu roteiro e cuja maior qualidade consiste justamente em sua simplicidade.

Nota: 8

Recomendado para quem gostou de: A Arte da Conquista (2011), Se Enlouquecer, Não Se Apaixone (2010) e The Spectacular Now (2013).

Trailer:

Será Que? (2014)
What If, Reino Unido, 98 min
Direção: Michael Dowse
Roteiro: Elan Mastai
Elenco: Daniel Radcliffe, Zoe Kazan, Megan Park, Adam Driver, Mackenzie Davis, Rafe Spall
Fotografia: Rogier Stoffers
Edição: Yvann Thibaudeau
Lançamento EUA: 15/08/2014
Lançamento Brasil: 25/09/2014

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