Crítica | Locke (2013)

J Por Guilherme Murayama

Já não havia dúvidas de que Tom Hardy é um ator de primeira linha. Suas entregas em filmes bem sucedidos como Os Infratores de John Hillcoat (2012), Inception de Cristopher Nolan (2010) e Bronson de Nicolas Winding Refn (2008) já tinham revelado sua capacidade e versatilidade. Ainda assim, é destacável a maestria da atuação do inglês no papel de Ivan Locke, um homem trabalhador que enfrenta uma noite caótica e tenta manejar um amontoado de desafios que se irrompem, um atrás do outro. É frente à iminência do desespero que se observa um homem comum tentando manter a sobriedade perante os tormentos de um mundo externo hostil.

Talvez, a única fraqueza do filme seja justamente o princípio de todas as suas qualidades: a história acontece inteiramente dentro de um carro. Logo na premissa, percebe-se que existe um limite nas possibilidades do enredo. É exatamente dentro dessas barreiras, desse campo, com muito pouco, que o filme tenta brilhar. A direção, a montagem e a fotografia se somam à atuação — são igualmente competentes. No que se propõe, o roteiro acerta em cheio. Não existe muito espaço para críticas negativas.

Uma obra impecável sobre resiliência, Locke é um filme de tensão que se sustenta em diálogos ágeis e na imensa capacidade da soma da escrita poderosa de Steven Knight (Senhores do Crime, 2007) com uma atuação irrepreensível. Um filme de um homem só e, não por sorte, esse homem é Tom Hardy, um dos melhores atores de sua geração.

Nota: 8

Recomendado para quem gostou de: Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), Frost/Nixon (2008) e The Social Network (2010).

Trailer:

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Locke (2013)
EUA/Reino Unido/Irlanda, 84 min
Direção: Steven Knight
Roteiro: Steven Knight
Elenco: Tom Hardy, Alice Lowe, Andrew Scott, Ben Daniels, Bill Milner, Danny Webb, Kirsty Dillon, Lee Ross, Olivia Colman, Ruth Wilson, Silas Carson, Tom Holland.
Fotografia: Haris Zambarloukos
Edição: Justine Wright
Lançamento UK: 18/04/2014

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