Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D.

O Por Guilherme Murayama

O Universo Compartilhado da Marvel ocupa hoje uma posição privilegiada dentre as grandes franquias de entretenimento. Seus heróis, antes em boa parte desconhecidos pelo grande público estão agora entre os mais bem sucedidos da indústria. O mundo aprendeu a amar esses personagens fantásticos antes reservados apenas para os nerds/geeks. Então, não foi com desanimo que os fãs receberam o anúncio da primeira série de TV desse universo, Agents of S.H.I.E.L.D. estreou em setembro de 2013 com as expectativas em seu máximo. Não é à toa que logo nos primeiros episódios exibidos houve grande frustração. Onde se esperava tanto, foi entregue o mínimo. A série obteve uma primeira temporada falha, mas não desastrosa, e provavelmente continuará tendo seu público.

Com uma trama que se estabelece em sequência aos acontecimentos da batalha de Nova York ocorridos em Os Vingadores, a série inicia com o Agente Phil Coulson – antes tido como morto – retornando para a S.H.I.E.L.D. e organizando um pequeno grupo de agentes para resolver casos que ainda não foram classificados. A equipe pouco ortodoxa reúne o rígido agente Grant Ward (Brett Dalton), especialista em combate e ações de campo, a piloto e artista marcial Melinda May (Ming-Na Wen) e os cientistas nerds Leonard Fitz (Iain De Caestecker) e Jemma Simmons (Elizabeth Henstridge). Ainda no primeiro episódio, a hacker Skye (Chloe Bennet) surge para completar a equipe.

A primeira metade da primeira temporada se tornou uma enorme sucessão de fracassos, praticamente nenhum dos episódios se salva. Mesmo o episódio-piloto de Joss Whedon (Os Vingadores, 2012) se mostrou limitado e as exibições seguintes foram ainda piores. Não é difícil encontrar fãs que só continuaram a acompanhar a série pela possibilidade de vínculos com os filmes seguintes das franquias Marvel: “Thor: O Mundo Sombrio” e “Capitão América: O Soldado Invernal”. Contudo, mesmo a ligação com os acontecimentos decorridos de Thor: Mundo Sombrio ainda no oitavo episódio não foi suficiente para satisfazer qualquer expectativa de qualidade. Tendo no total vinte e dois episódios durante a primeira temporada, houve aparentemente a necessidade de preencher o conteúdo com tramas menores. Foi a partir da segunda metade, com o episódio “Seeds”, que tudo começou a melhorar. A salvação se estabeleceu já no episódio seguinte, “T.R.A.C.K.S.”, que certamente trouxe um novo ar à série que estava se tornando desgastante. Se antes havia um arco complexo sendo desenvolvido ao longo da temporada e histórias menores apenas ocupando espaço, o que houve a partir de “T.R.A.C.K.S.” foi um cuidado meticuloso não somente com o enredo de cada episódio como também com a direção e a montagem. De repente, tudo mudou e até mesmo detalhes secundários como a trilha sonora e os efeitos visuais passaram a melhorar. Talvez, a Marvel Studios tenha percebido o erro que estava cometendo, ou então o estúdio apenas tinha guardado o melhor para o final. O fato é que eles conseguiram, se não um produto excelente, ao menos uma série intrigante e que não decepciona exponencialmente os fãs.

Um dos pontos mais fracos da série é o trabalho do elenco, os personagens principais são inacreditavelmente estereotipados. A falta de nuances dos personagens de Brett Dalton e Chloe Bennet chega a ser, em alguns momentos, o ponto de maior incômodo da série. Não atrás, a Melinda May de Ming-Na Wen é quase ofensiva e reúne uma infinidade de atributos superficiais da cultura oriental. Em contraponto, está a dupla de cientistas. Muito diferente dos clichês derivados de Spock entre outros gênios da ficção científica, Leonard Fitz e Jemma Simmons são altamente emotivos e expansivos. Infelizmente, os personagens são pouco explorados e ficam reduzidos a pequenas participações cômicas até quase o final da série. O Phil Coulson de Clark Gregg continua parecido com suas aparições em outros filmes da franquia Marvel como “Homem de Ferro” e “Os Vingadores”. Nas participações especiais se destacam Ruth Negga como a misteriosa Reina, B.J. Britt como o agente de campo Antoine Triplett, Saffron Burrows como Victoria Hand, e, obviamente, Samuel L. Jackson como Nick Fury.

Tendo iniciado como um desastre iminente, Agents of the S.H.I.E.L.D. conseguiu, ao longo de sua segunda metade, se redimir. Com um episódio final espetacular em diversos sentidos, a série trouxe para a TV um início da essência do Universo Marvel. Dificilmente os que não gostam dos filmes verão algum mérito nessa adaptação menor. Contudo, para os que já se encantaram com o que foi exibido nos cinemas, há uma centelha daquilo que pode ser um novo formato para os filmes de super-heróis na televisão. Muito diferente de “Smallville” e “Arrow”, Agents of the S.H.I.E.L.D. pode não revolucionar, mas certamente inova na maneira como esse tipo de universo é retratado. Nick Fury, no último episódio da temporada, diz: “When you wanna build smoothing you need a strong foundation”. Pois então, está mais do que claro o que será necessário para construir o Universo Marvel numa nova mídia.

Nota: 6

Recomendado para quem gostou de: Thor: O Mundo Sombrio (2014), The Flash (2014) e Os Vingadores (2012).

Agents of S.H.I.E.L.D. (2013)
Estados Unidos, 2013, 22 episódios
Duração: 43 min
Criadores: ed Whedon, Maurissa Tancharoen e Joss Whedon
Elenco: Ming-Na Wen, Clark Gregg, Brett Dalton, B.J. Britt, Chloe Bennet, Iain De Caestecker e Elizabeth Henstridge

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