Crítica | Azul é a Cor Mais Quente

A Por Guilherme Murayama

Azul é a Cor Mais Quente é um retrato sensível das paixões e descobertas do início da vida adulta. Portadora de uma narrativa poética e tocante, a obra conta a história da vida de Cleméntine, uma jovem de 15 anos que descobre o amor através de Emma, cujos cabelos são azuis. Diferente de quase tudo que saiu em 2013, ano em foi produzida, a HQ estabelece uma visão doce, afetiva e humana das questões mundanas.

Em meio à violência de um mundo conturbado, a maior qualidade da história consiste, justamente, na escolha de apresentar um mundo mais belo e cheio de nuances. Numa temática que por muitas vezes é forçada a mostrar o que há de pior, “Azul é a Cor Mais Quente” traz um pouco de luz sem deixar de ser realista.

Adaptada para o cinema por Abdellatif Kechiche (Venus Negra, 2010), a graphic novel começou a conquistar as livrarias de todo o mundo no final do último ano — em parte pela versão cinematográfica ter sido agraciada com a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Diferente do que se vê nas telas, o quadrinho aborda a temática numa versão mais idealizada e construída do amor entre as protagonistas. Essa divergência resultou numa situação inusitada onde parte dos fãs da adaptação cinematográfica preferem o filme ao livro, o que de fato é explicável pelas diferenças entre as mensagens. Ao mesmo tempo, não é difícil encontrar os que leram primeiro a história nos quadrinhos e que relutam em aceitar a variante menos compassível e mais explícita que chegou aos cinemas pelas mãos do cineasta francês. Há inclusive reclamações das próprias atrizes e da autora em relação à exploração por parte de Kechiche, o diretor. Ainda que divergentes, a verdade é que, ao seu modo, ambas as histórias trazem um relato impressionante de um relacionamento tempestuoso e cativante.

A maior qualidade da obra impressa que não consta no filme é, certamente, o bom nível das ilustrações. Tecnicamente imperfeitas, elas esboçam com sinceridade um amor acidentado e o retrato de uma adolescência. O trabalho de Julie Marioh é pulsante, uma versão feminina e intensa de escolhas gráficas que existiram por muito tempo nos quadrinhos noir contemporâneos. O resultado, somado ao texto, é o relato humano de uma vida que, apesar das adversidades, constrói-se repleta de amor.

Nota: 10

 

Prêmios: Prêmio do Público no Festival Internacional de Angoulêm.

Autores: Julie Maroh
Editora (FR): Glénat
Editora (BR): Martins Fontes / Selo Martins – Edição especial
Preço (EUA): US$ 13,99
Preço (BR): R$ 39,90
Número de páginas (FR): 160
Número de páginas (BR): 160
Data de lançamento (FR): Março de 2010
Data de lançamento (BR): Novembro de 2013
Público: Jovem/Adulto – contém cenas de sexo e violência

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